Na Rua Ribeiro de Almeida (nome de seu avô que foi Ministro do Supremo Tribunal Federal) quando ainda se chamava Rua Passos Manuel, no ano de 1907, nasceu Oscar Niemeyer, arquiteto dos sonhos. Teve uma infância feliz, correndo de cima para baixo a íngreme rua em que nasceu. Aos 15 anos, entrou para o Colégio das Barnabitas Santo Antonio Maria Zaccaria e em 1928 concluiu o curso secundário. Até este ano levava uma vida despreocupada e até boêmia, quando surgiu em sua vida a primeira esposa: Annita Baldo, filha de imigrantes italianos das proximidades de Veneza. Depois de casado, Niemeyer passou a compreender as responsabilidades da vida e passou a trabalhar na tipografia de seu pai. Em seguida, já partiu em busca de seus sonhos, ingressando na Escola Nacional de Belas Artes. O diploma de engenheiro arquiteto veio no ano de 1934, quando Oscar tinha 27 anos de idade.
No ano seguinte, Niemeyer iniciou sua vida profissional no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão, onde fez parte da equipe do projeto do Ministério da Educação e Saúde, em 1936. Oscar, na época em dificuldades financeiras, preferiu não seguir o rumo de seus colegas, todos voltados para a arquitetura puramente comercial. O ingresso no escritório dos dois grandes arquitetos, aliás, Oscar considerou um favor dos dois para com ele, embora tenha trabalhado de graça, buscando nesta experiência não retorno financeiro, mas respostas para as dúvidas de estudante de arquitetura. Em 1937, projetou a Obra do Berço, na sua terra natal, o Rio de Janeiro e dois anos mais tarde viajou com o então consagrado Lúcio Costa para projetar o Pavilhão do Brasil na feira mundial de Nova Iorque.
Em 1940, o arquiteto conheceu uma pessoa que foi decisiva na sua carreira: o então prefeito de Belo Horizonte Juscelino Kubitschek que o convidou para projetar o Conjunto da Pampulha, uma das belas obras da carreira de Oscar Niemeyer. Nesta década, o arquiteto carioca entrou para o Partido Comunista (1945) e teve o visto de entrada nos Estados Unidos cancelado quando ia ministrar um curso na Universidade de Yale, em 1946. Mas no ano seguinte, 1947, Oscar obteve a permissão de entrar nos EUA e foi para Nova Iorque desenvolver o projeto da sede da ONU. No início da década de 50, o escritor Stamo Papadaki publicou um livro sobre o arquiteto brasileiro intitulado "The Work of Oscar Niemeyer". Afamado mundialmente, Oscar projeta, em São Paulo, o Edifício Copan, marco histórico da arquitetura brasileira e os conjuntos do Parque do Ibirapuera. Em 1952, realiza um sonho pessoal: projeta a sua residência na Estrada das Canoas, no Rio de Janeiro.
A primeira viagem de Oscar Niemeyer à Europa foi também na década de 50 (1954), quando participou do projeto de reconstrução de Berlim, capital alemã. No Brasil, fundou a revista Módulo (1955) e assumiu a chefia do departamento de Arquitetura e Urbanismo da NOVACAP, encarregada da construção da nova capital federal: Brasília, idealizada por Juscelino Kubitschek, agora presidente do Brasil. Em 1956, é encarregado de organizar o concurso para a escolha do Plano-piloto de Brasília e nos anos que se seguiram (1957 e 58) projetou o Palácio da Alvorada e os principais prédios da nova capital do Brasil. Nos anos 60, em 1962 mais precisamente, Oscar Niemeyer foi nomeado coordenador da Escola de Arquitetura da Universidade de Brasília - UnB - escola recém criada e fez uma interessante viagem ao Líbano, no Oriente Médio, para projetar a Feira Internacional e Permanente.
Famoso e admirado nos Estados Unidos, Oscar foi nomeado membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos dos Estados Unidos, em 1963. A esta altura, o arquiteto das curvas vive um bom momento profissional e pessoal, vendo seus sonhos se realizarem mundo afora. No entanto, momentos turbulentos virão marcar a vida de Niemeyer, como também a de outros grandes sonhadores brasileiros. O ano é 1964 e o Brasil sofre um golpe militar que marcou para sempre a sua história do País. Voltando de uma viagem a Israel, em novembro de 64, Oscar é chamado pelo DOPS para depor. A ditadura também perseguiu o arquiteto, como fez com artistas, políticos e gente comum. Niemeyer teve seu escritório saqueado, sua revista (Módulo) foi semi-destruída, seus projetos começaram a ser recusados e sofre ataques públicos, como a frase do Ministro da Aeronáutica da época que disse que "lugar de arquiteto comunista é em Moscou".
1965 também não foi um ano fácil. Com mais de 200 professores, Oscar se retira da UnB em protesto contra a política universitária, mesmo ano em que vai à Paris para uma exposição de sua obra no Museu do Louvre. No ano seguinte, publica seu livro "Quase Memórias: Viagens". Em contrapartida a realização de mais um sonho, Niemeyer se muda para Paris porque fora impedido de trabalhar no Brasil dos generais. Para sorte do resto do mundo, seu trabalho continua e a aprtir de 1968 projeta a sede da Editora Mondadori na Itália e desenvolve vários projetos na Argélia, como a Universidade de Constantine, em 1969. No início dos anos 70, em protesto contra a guerra do Vietnã, Oscar se desliga da Academia Americana de Artes e Ciências. No fim de 1973, o arquiteto brasileiro já tem seu escritório em Paris, na famosa avenida Champs Elysées. Em 75, projeta a sede da Fata Engeneering na Itália e volta a publicar a revista Módulo e, em 1978, funda o Centro Brasil Democrático - CEDRADE.
Os anos 80, foram importantíssimos na carreira de Oscar Niemeyer. Em 1983, tem uma retrospectiva de sua obra apresentada no MAM do Rio de Janeiro e, em 85, volta a desenvolver projetos para Brasília. Nos anos de 87 e 88, recebe os prêmios Pritzker de Arquitetura, nos Estados Unidos e projeta o Memorial da América Latina, no bairro da Barra Funda na capital paulista. Em 1990, junto com o ícone do comunismo brasileiro Luiz Carlos Prestes, desliga-se do Partido Comunista Brasileiro e projeta o Museu de Arte Contemporêa - MAC de Niterói, em 91. Dois anos depois deste feito no Rio de Janeiro, Oscar publica mais um livro: "Conversa de Arquiteto" e, em 94, projeta o Museu O Homem e seu Universo, em Brasília. Neste mesmo ano, também projeta a Torre da Embratel, no Rio de Janeiro. Em 1995, recebe os títulos de Doutor Honoris Causa das universidades de São Paulo e Minas Gerais e projeta o Monumento em Comemoração ao Centenário de Belo Horizonte.
Ainda na década de 90, Niemeyer recebeu o Prêmio Leão de Ouro da Bienal de Veneza e projetou o Monumento Eldorado Memória, doado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, ambos os acontecimentos em 96. Em 1997, em homengem aos 90 anos do seu maior arquiteto, o Brasil realizou diversas mostras e inicia os estudos para o Caminho Niemeyer, na cidade de Niterói. Em 98, no Pavilhão Manoel da Nóbrega, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, foi realizada uma exposição retrospectiva sobre sua obra. Neste mesmo ano, Oscar recebeu a Royal Gold Medal do Royal Institute of British Architects - RIBA e continuou sua produção, iniciando os estudos para os projetos do Centro Cultural de Santa Helena, no Paraná, o Complexo arquetetônico Memorial e Palácio Legislativo Ulysses Guimarães, em Rio Claro - SP, a Escola de Música Guiomar Novaes, em São João Batista - SP, o Memorial Darcy Ribeiro no Sambódromo, no Rio de Janeiro, o Memorial Maria Natal, em Natal - RN, entre tantos outros.
No ano 2000, Oscar projetou o Módulo da Educação Integrada - MEI , creches populares incorporadas aos Centros Integrados de Educação Pública - CIEPs, além de outros tantos importantes trabalhos como o Jardim Botânico em Petropólis e o Centro Cultural e Esportivo João Saldanha, em Maricá, no Rio de Janeiro. Em 2001, realizou muitos grandes projetos como a Residência em Oslo, Noruega, o Acqua City Palace Moscou, na Rússia, o Centro de Memória do DOI-CODI, em São Paulo e o Hospital Veterinário da Universidade do Norte Fluminense - UENF, em Campos, Estado do Rio de Janeiro. Ainda no ano de 2001, Oscar Niemeyer recebeu prêmios como a Medalha do Mérito Darcy Ribeiro do Conselho Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro, o Prêmio UNESCO 2001, na categoria Cultura e os títulos de Grande Oficial da Ordem do Mérito Docente e Cultural Gabriela Mistral, do Ministério da Educação do Chile, além de ganhar uma exposição de seus 90 anos no Pavilhão de Portugal no Parque da Nações, em Lisboa.
Em 2002, o arquiteto dos sonhos, projeta o Centro Cultural e Esportivo da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, famosa agremiação da zona norte carioca. Neste mesmo ano, em Paris, aconteceu a exposição Oscar Niemeyer 90 anos na Galerie Nationale du Jeu de Paume. Os anos que se seguiram foram de muito trabalho e outras tantas homenagens ao maior arquiteto do mundo, sem exageros ou ufanismo. Oscar Niemeyer, menino travesso do bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, agora caminhando para um centenário de vida mostrava-se incansável e trabalhando sem parar. Em dezembro de 2007, Oscar Niemeyer completou seus 100 anos de vida e tantos quantos também de sonhos e felicidade transmitida aos amantes da arquitetura e da arte. De sua mente genial, traços, linhas, e muitas curvas, todas desembocando num sonho sem começo e sem fim como um traço na direção do horizonte.
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