Quem nunca ouviu falar de Fazenda Nova? O espetáculo da Paixão de Cristo é encenado e dirigido pela família Mendonça desde o início de 1951, empreitada que foi iniciada pelo patriarca Epaminondas. Plínio Pacheco, casado com Diva Pacheco (atriz que fez brilhante apresentação em novela da Globo - "A Lua Me Disse", 2005) entrou firme nessa história da paixão, fazendo com a cada ano aumentasse o público que se dirigia a Fazenda Nova para assistir ao espetáculo nas ruas. Porém, ficou cada vez mais difícil de ser encenado de forma amadora, de modo que em 1962, Plínio e seu grupo resolveram suspender as apresentações, até o momento em que adquirissem condições para melhorar o espetáculo, especialmente no que tocava à acomodação do público. A partir deste momento, nascia o segundo grande sonho da família Pacheco: a construção da Cidade-teatro de Fazenda Nova.
Sonhar é preciso. Rubem Alves, ex-pastor, ex-professor uniiversitário, teólogo, psicanalista, escritor e também conferencista, corrobora a frase. Autor de muitos livros em 30 anos de exercício da escrita, este mineiro de Boa Esperança, esbanja energia criadora e sonha com surpreendente vigor no alto dos seus - bem vividos - 73 anos. Dono de uma linguagem simples, clara e direta, mesma ponteada por filosofia e metaforismos, Rubem não pensa em parar de sonhar, digo produzir. Defensor do prazer de ler, Rubem sonha com a escola prazeirosa e criativa, livre de obrigações, como a análise sintática "que tira o prazer de ler". Fica claro, nesta introdução, que é justo este o ponto principal da obra de Rubem Alves: o prazer. Prazer de ler, entender o leitor, tocar seu coração.
Na Rua Ribeiro de Almeida (nome de seu avô que foi Ministro do Supremo Tribunal Federal) quando ainda se chamava Rua Passos Manuel, no ano de 1907, nasceu Oscar Niemeyer, arquiteto dos sonhos. Teve uma infância feliz, correndo de cima para baixo a íngreme rua em que nasceu. Aos 15 anos, entrou para o Colégio das Barnabitas Santo Antonio Maria Zaccaria e em 1928 concluiu o curso secundário. Até este ano levava uma vida despreocupada e até boêmia, quando surgiu em sua vida a primeira esposa: Annita Baldo, filha de imigrantes italianos das proximidades de Veneza. Depois de casado, Niemeyer passou a compreender as responsabilidades da vida e passou a trabalhar na tipografia de seu pai. Em seguida, já partiu em busca de seus sonhos, ingressando na Escola Nacional de Belas Artes. O diploma de engenheiro arquiteto veio no ano de 1934, quando Oscar tinha 27 anos de idade.
Ernesto Che Guevara foi um dos maiores sonhadores da história recente do mundo. Embora seus ideais de vida pareçam muito românticos aos olhos de um mundo hoje globalizado, Che se transformou na imagem viva de um grande sonhador, ícone na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência e ideal político. Sua morte perpetuou a existência de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos, mas um mito real, possível e capaz de transformar o mundo. Depois de sua morte nunca mais se ouviu falar de um lutador com igual força. Munido de sonhos e sede de justiça, Che enfrentou os poderosos da América, mas encarou, sobretudo, a fome, a doença e a falta de pespectivas que assolam a vida dos americanos do sul e do centro.Foi na cidade de Rosário, Argentina, no dia 14 de junho de 1928 que nasceu Ernesto Che Guevara, primeiro dos cincos filhos do casal Ernesto Lynch e Celia de la Serna y Llosa, esta a principal responsável pela sua formação porque, mesmo sendo católica, mantinha em casa um ambiente de esquerda e sempre estava cercada por mulheres politizadas. Che estudou grande parte do ensino fundamental em casa com a própria mãe e, desde muito pequeno, sofria com as crises de asma, razão pela qual sua família se mudou para as serras de Córdoba, quando ele tinha 12 anos. Morou próximo a uma favela e, embora a discriminação para com os mais pobres fosse comum à classe média argentina, Che não se importou com o fato e fez várias amizades com os habitantes da favela.
José Abelardo Barbosa de Medeiros nasceu na pequena cidade de Surubim, em Pernambuco no dia 30 de setebro de 1917. Filho de um comerciante e uma dona de casa, formou-se médico, esteve à beira da morte na juventude, tentou ir para a Alemanha de navio e acabou por acaso na então capital federal Rio de Janeiro. Tentou ser locutor de rádio da Rádio Vera Cruz, da Tupi e da Rádio Clube Fluminense, mas seu forte sotaque nordestino não combinou bem com a locução comercial. Mas continuou tentando sucesso nas rádios, porém Insatisfeito mais uma vez com o convecionismo das rádios, resolveu vender sonhos: pediu à direção da Rádio Clube de Niterói onde atuava na época para fazer um programa sobre música carnavalesca num horário avançado da noite. A cúpula da rádio topou e Abelardo Barbosa estreou seu "O Rei Momo na Chacrinha" - este nome porque esta rádio de Niterói funcionava numa chácara próxima ao Cassino de Icaraí. A partir daí, o nome Chacrinha apareceu e se firmou para sempre no cenário da comunicação do Brasil. Chacrinha foi um grande comunicador de rádio e começou a aparecer de forma mais consistente quando mudou o nome de seu programa para "O Cassino da Chacrinha". Num programa nada convencional para a época, Abelardo simulava entrevistas com celebridades, fazia os ouvintes imaginarem o tal cassino, descrevendo festas badaladas no mesmo. Tudo ilusão. Abelardo trabalhava praticamente sozinho com uma parafernália incrível para produzir sons os mais diversos, usando inclusive animais, como o galo que, de fato, existia na chácara da rádio. O Cassino da Chacrinha, neste esquema improvisado, durou do final do carnaval de 1942 até o ano de 1955, quando Abelardo decidiu dar imagens aos seus sonhos. Foi para a televisão. Em 1956, na Rede Tupi do Rio, passou a apresentar o programa "Rancho Alegre" de forma definitiva, largando,assim, o rádio. Foi contratado por quase todas as emissoras de televisão do Brasil e, em 1959, já tinha o programa mais popular da tv: a "Discoteca do Chacrinha".
Sem nunca esculpir nem usar tintas, nem desenhar, nem fotografar, mas esmerado em sua busca pelo entendimento do mundo, Arthur Bispo do Rosário, considerado esquizofrênico-paranóico, criou arte do lixo do hospital psiquiátrico em que viveu, de sucatas e trapos de panos de outros internos. Genuíno e único no que fez, Arthur hoje é uma unanimidade internacional quanto à sua arte. Segundo Bispo, Deus lhe havia pedido que "reconstruísse o universo" e "registrasse Sua passagem aqui na terra". Durante a maior parte de sua vida - e grande parte desta recluso em uma solitária na Colônia Juliano Moreira - não fez outra coisa senão cuidar dos "desejos de Deus". Desse modo, Bispo produziu arte poética e vergitinosa "para ofertar ao Todo-Poderoso no dia do Juízo Final". O surgimento de Bispo do Rosário no mundo já é um de seus mistérios: com dois registros de nascimento - um na Light, onde foi empregado entre 1933 e 1937, seu nascimento consta como 16 de março de 1911 e outro nos registros da Marinha de Guerra do Brasil, onde serviu entre 1925 e 1933, a data é 14 de maio de 1909.



Sonhou e Realizou
